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terça-feira, 4 de agosto de 2009

POLÍCIA DO SENADO VAI INVESTIGAR SUPOSTAS AGRESSÕES A MANIFESTANTES

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A Polícia Legislativa do Senado abriu ocorrência nesta terça-feira para investigar supostas agressões que teriam sido sofridas por manifestantes contrários à permanência do presidente José Sarney (PMDB-AP) no cargo. Os manifestantes, filiados à Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), abriram uma faixa "Fora Sarney" dentro do plenário da Casa e acusaram policiais legislativos de terem agredido o grupo para que encerrassem o protesto.

"Fizemos um protesto simbólico e fomos agredidos pela Polícia do Senado. O movimento sindical não pode deixar tudo acontecer sem fazer nada. Estamos rompendo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que preferiu se aliar aos senadores Fernando Collor [PTB-AL] e Renan Calheiros [PMDB-AL]", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, José Vivaldo Moreira.


Os policiais encaminharam os manifestantes à Polícia Legislativa para que prestem depoimento. Os agentes também sugeriram que os sindicalistas realizem exames de corpo de delito depois das acusações de que foram agredidos dentro do plenário da Casa.

"Vamos abrir ocorrência, eles vão contar os fatos e vão ser ouvidas as pessoas que participaram da manifestação. Se for o caso, os manifestantes poderão ir ao Instituto Médico Legal fazer exame de corpo de delito já que eles dizem que foram agredidos", disse o diretor-geral da Polícia do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho.

O diretor disse que não acredita em agressões da parte dos policiais legislativos contra os manifestantes, mas afirmou que as denúncias serão apuradas. "Se houve exagero de algum policial meu, ele vai ser apenado. O que não pode é achar que isso aqui é praça pública. O regimento do Senado não permite esse tipo de manifestação dentro do plenário", afirmou Carvalho.

O regimento da Casa impede manifestações públicas contrárias ou favoráveis a qualquer parlamentar. Carvalho disse que, sempre que ocorrem manifestações dentro do plenário, a Polícia Legislativa é orientada a intervir sem violência.

Protesto

O grupo de manifestantes invadiu nesta terça-feira o plenário do Senado com uma faixa com os dizeres "Fora Sarney" na defesa pela saída do presidente da Casa. Eles também usavam máscaras cirúrgicas com os mesmos dizeres. A faixa foi arrancada das mãos dos manifestantes, que foram conduzidos pela polícia para fora do local. Alguns ainda tentaram entrar em confronto com os policiais, mas foram contidos.

Sarney não estava na presidência da Casa no momento do tumulto. O senador Adelmir Santana (DEM-DF), que presidia a sessão, pediu para que a polícia tomasse as providências para coibir a manifestação. Alguns senadores intercederam em favor dos manifestantes, como Arthur Virgílio (PSDB-AM).

"O regimento não prevê manifestações, mas também não prevê violência", disse. Os manifestantes deixaram o plenário aos gritos: "Ão, ão, ão, abaixo à repressão. Fora Sarney".


SARNEY ADIA PARA AMANHÃ DISCURSO NO PLENÁRIO DO SENADO

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), desistiu de discursar na tribuna da Casa nesta terça-feira para demonstrar que não pretende renunciar ao cargo. Orientado por aliados, Sarney decidiu esperar a reunião do Conselho de Ética da Casa marcada para amanhã antes de se manifestar aos demais parlamentares.

A Folha Online apurou que Sarney também temia reações duras ao seu pronunciamento depois que um grupo de partidos decidiu se unir para cobrar formalmente a sua licença temporária do cargo.


Aliados do peemedebista avaliam que o momento é de cautela, por isso anunciaram que, a princípio, o discurso de Sarney ficará para amanhã.

Senadores do PSDB, DEM, PDT, PT e PSB se uniram hoje numa espécie de "frente" suprapartidária para endurecer o tom dos discursos no plenário da Casa. O movimento surgiu em resposta aos ataques de aliados de Sarney ao senador Pedro Simon (PMDB-RS) no plenário do Senado nesta segunda-feira.

Os partidos prometem responder duramente aos ataques da tropa de choque de Sarney a partir desta tarde. Além disso, os senadores estudam divulgar uma nota com o pedido para que Sarney deixe o cargo temporariamente caso o Conselho de Ética arquive as denúncias contra o presidente da Casa sumariamente.

Conselho

O Conselho de Ética se reúne nesta quarta-feira para decidir se inicia processo disciplinar contra Sarney por quebra de decoro parlamentar. O PSDB e o PSOL ingressaram com cinco representações contra o peemedebista, provocadas por denúncias como o uso de atos secretos para nomear parentes.

O presidente do conselho, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), sinalizou que pretende arquivar sumariamente as representações contra Sarney. O grupo suprapartidário promete recorrer da decisão caso o peemedebista faça uma espécie de "blindagem" a Sarney no conselho.


PREPOTÊNCIA, INCOMPETÊNCIA, VULGARIDADE. OU: FERNANDO COLLOR DE MELLO


Por Reinaldo Azevedo

Alguns bobalhões enviaram comentários com a inteligência habitual que essa gente tem abaixo do tornozelo lembrando que já critiquei o senador Pedro Simon (PMDB-RS) por isso e aquilo. É verdade. Tenho minhas diferenças com o político gaúcho. Mas sou um bom moço católico. Escolho o bem absoluto. Na impossibilidade, fico com o mal menor sem abrir mão das minhas convicções. Collor? Fernando Collor de Mello? Nem para atravessar a rua! Nem para tomar um Chicabom!

Outros ainda dizem: “Ué, ele não é do seu campo ideológico?” A resposta é dada pelos fatos. Se fosse, não estaria com Lula, com o PT. Deve, então, ser do campo ideológico do Schopenhauer do Planalto, não meu. Se esta com Lula, é a ele que presta vassalagem. Não! Nunca votei neste senhor! Não votaria nem que me aparecesse uma luz na sarça ardente afirmando: “Este é o cara”. Nessa hipótese, consideraria ser uma das manifestações do demônio, que sempre se finge de Bem para pegar a alma dos viventes. Se o chifrudo aparecesse com sua face real, não convenceria ninguém, não é mesmo? O capeta — tomem a palavra como uma metáfora, por favor — só prospera porque conhece todas as faces das candura e pode imitá-la. Mas basta que o ambiente apele à sua real natureza, e aquele cheiro de enxofre toma o ambiente.

Collor voltou à política fingindo civilidade. Parecia aquele que caiu e voltava arrependido. Arrependido de quê? De PC Farias e suas lambanças. Das bobagens que fez na economia. Lembram-se do bloqueio dos ativos, conhecido como “bloqueio da poupança” ou “confisco”? Sabem como foi decidido pelo governo daquele patético caçador de marajás? Acreditem na própria Zélia Cardoso de Mello. Ela contou ao escritor Fernando Sabino, que escreveu um livro a respeito:
De vez em quando, para arejar a cabeça, [Zélia] descia ao térreo e participava um pouco da festa. Sempre que tem um problema, gosta de dar uma trégua para se distrair, deixando o subconsciente trabalhar. Escreveu num papel os números 20, 50, 70 e voltou à festa. Deixou-se fotografar com suas amigas, sempre a segurar o papel. Ao regressar à salinha, havia optado pelos cinqüenta mil cruzeiros. Encontrou a equipe ainda discutindo o plano.

Foi com esse rigor que o governo desse parlapatão decidiu quanto dinheiro seria liberado para os brasileiros. Como se vê, pura técnica e ousadia. No Youtube, há alguns filmes em que aquela senhora tenta explicar o seu plano, diante de um país perplexo. Ela também contou passagens do seu romance com Bernardo Cabral. Assim:

Os dois passaram a se ver diariamente: participavam de encontros no gabinete um do outro, e das reuniões ministeriais, em geral longas e exaustivas. De vez em quando, trocavam bilhetinhos debaixo da mesa. Um deles, entre os que ela ainda guarda consigo, dizia: “Esta sua saia curta está deliciosa”. Ela hoje acha graça:
- Imagina se, em vez de chegar às minhas mãos, fosse parar nas do general Tinoco.

O que acho de Collor? A mistura da prepotência e da incompetência com a vulgaridade, como se nota acima.

Mas volto ao ponto: ele parecia estar se emendando, não é? Os cabelos brancos lhe conferiam um certo ar circunspecto. A idade fez com que a gravidade lhe derrubasse um tanto um nariz, ainda aquilino, mas com aspecto menos voraz. Andou até conversando com líderes da oposição, prometendo independência — afinal, vá lá, mesmo ele sendo ele, é um ex-presidente da República. Nada disso. Faltava só o ambiente e a vítima.

E eles apareceram ali à sua frente. Viu no senador Pedro Simon a chance de recuperar o velho estilo, de mostrar que ainda pode conjurar as forças das profundezas mais atrasadas do país para falar com os dentes trancados, para expor a sua, sem dúvida, insuperável vulgaridade.

Tentarei achar um texto meu de 1989 — pré-Internet… À época, falava-se muito do português esfarrapado de Lula. E era mesmo. Demonstrei, à época, que Collor cometia o mesmo número de erros, só que eram outros. Se Lula falava “nimim”, o “Oligarquinha da Mamãe” errava no emprego do infinitivo flexionado (ou não). Eram erros derivados da origem de cada um. Cada um deles tinha o português pobre à sua maneira. O de Collor trazia a sintaxe e o vocabulário do arrivismo. Que se note: Lula, hoje, já não fala mais “nimim”. Sua língua de agora é igual à de Collor. Os dois se encontraram no idioma, na política e na vergonha na cara.

Collor do meu campo ideológico? Nunca! Collor não é conservador, direitista, liberal ou sei lá o quê. Collor é só a encarnação presente de um espírito que parece imortal no Brasil: o atraso, o mandonismo, a fanfarronice. Merece é uma estaca no coração — é metáfora, viu, gente? Qualquer um que respeitasse minimamente o Senado Federal não faria o que ele fez ontem. Para bom entendedor, ficou muito claro que, ao mandar o senador Simon engolir as palavras — e ele não retirou a grosseria, mas a reiterou —. fez alusão ao processo completo da digestão.

Sim, pode-se afirmar que Fernando Collor, na comparação com seu pai, até que avançou um pouco. Em 1963, o então senador Arnon de Mello (UDN-AL) e seu adversário Silvestre Péricles de Góes Monteiro (PSD-AL) sacaram armas dentro do Senado. Arnon errou o alvo e matou o suplente de senador José Khairallah (PSD-AC). Os litigantes foram presos. Em sessão secreta, por 44 votos contra 4, decidiu-se não abrir processo de cassação contra os dois pistoleiros. Tiveram a imunidade parlamentar suspensa e foram processados na Justiça comum. Sabem o que aconteceu? Foram absolvidos em abril de 1964. Essa gente entende de impunidade.

Como se vê, Collor é um avanço, mas só quando comparado aos de sua própria estirpe.

Não tentem jogar Collor no colo dos conservadores. Ele é da turma de Lula. Ele é só um coronel de velha cepa, com banho de loja, a serviço de Lula, o neocoronel urbano surgido no sindicalismo. São atrasos distintos que se combinam a serviço da permanente degradação da política.


APÓS BATE-BOCA NO SENADO, CINCO PARTIDOS SE UNEM PARA COBRAR AFASTAMENTO DE SARNEY

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Senadores do PSDB, DEM, PDT, PT e PSB se uniram nesta terça-feira numa espécie de "frente" suprapartidária para endurecer o tom dos discursos e cobrar conjuntamente o afastamento temporário de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. O movimento surgiu em resposta aos ataques de aliados de Sarney ao senador Pedro Simon (PMDB-RS) no plenário do Senado nesta segunda-feira.

Os partidos prometem responder duramente aos ataques da tropa de choque de Sarney no plenário do Senado a partir desta tarde. Além disso, os senadores estudam divulgar uma nota com o pedido para que Sarney deixe o cargo temporariamente caso o Conselho de Ética arquive as denúncias contra o presidente da Casa sumariamente.


"É uma grande frente pela dignidade do Senado, que fica insustentável se o Sarney permanecer na presidência", disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).

O grupo anti-Sarney prometeu subir o tom dos discursos depois dos ataques dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL) a Simon. O ex-presidente da República pediu que Simon "engula" suas palavras quando for se dirigir a ele, enquanto Renan acusou o peemedebista de ter posturas distintas nos bastidores e publicamente sobre Sarney.

"Se eles tiverem munição, têm que apresentar. Não ficaremos intimidados com nenhuma das ameaças. Isso é incompatível com a prática legislativa", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES).

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), afirmou que a disposição do grupo é insistir no afastamento temporário de Sarney. Os senadores optaram por cobrar a licença do peemedebista, e não a renúncia, porque precisam do apoio da bancada do PT ao movimento --que não se mostrou favorável à saída definitiva de Sarney.

"A nota será de afastamento porque o PT quer o afastamento temporário. Se a maioria dos partidos quiser o afastamento, teremos maioria numérica para cobrar a licença de Sarney", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Guerra disse que o grupo não vai aceitar "ameaças" dos aliados de Sarney. "Não ameaçamos ninguém nem aceitamos ameaças. Troca de acusações, dossiês, isso não é conversa de democrata, mas de golpista. Neste momento, a pior atitude é a tropa de choque e a chantagem", disse o tucano.

Arquivamento

Os senadores prometem assinar a nota conjunta com o pedido de afastamento temporário de Sarney se o presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), arquivar sumariamente todas as representações e denúncias contra Sarney.

O peemedebista sinalizou a aliados que pretende arquivar as acusações antes de submetê-las ao plenário do conselho, o que irritou o grupo contrário à permanência de Sarney.

"O Paulo Duque não tem competência para arquivar. Para a questão dos atos secretos, tem que se abrir investigação. Se ele fizer isso [arquivar], vamos recorrer", afirmou Demóstenes. Casagrande, por sua vez, disse que Duque vai desrespeitar a resolução que regulamenta as atividades do Conselho de Ética, se arquivar as denúncias.


O COVEIRO DOS DIREITOS INDIVIDUAIS

POR OSWALDO VIVIANI*

Não sei quanto a vocês, leitores, mas a coisa que me deixa mais indignado com o coronel José Sarney é quando ele tenta posar de vítima. Outra situação que me irrita é quando ele busca demonstrar uma erudição que não possui. E Sarney exibiu essas suas duas facetas de sua persona farsante no artigo “A morte dos direitos individuais”, publicado na Folha de S. Paulo, na sexta-feira, e reproduzido na primeira página do seu jornal, no domingo.

Na verdade, nessa primeira vez em que se dignou a tratar do assunto desagradável (para ele...) que é a difusão nacional do rosário de imoralidades cometidas por ele e seu clã, Sarney quis, por meio de uma dissimulação falsamente elegante e pseudo-intelectual, tecer críticas à imprensa, situando-se como alvo injustiçado e indefeso de verdugos implacáveis, que aplicam “as leis da guerra à política, cuja finalidade não é o jogo das idéias, e sim, como na guerra, uma luta entre inimigos, não para vencer o adversário, mas para exterminá-lo”.

A internet – um “tsunami avassalador”, conforme Sarney – também foi incluída em seu índex da “mídia irresponsável”, muito embora o senador use e abuse dela em proveito próprio, contratando uma legião de jornalistas mercenários – e/ou alienados – para montar seu bunker de contra-informação cibernética.

Repetindo a mesma estratégia do “olha-como-eu-sou-sabido” que já adotara semanas antes, num discurso para ninguém no Senado, em que mencionou o senador romano Lúcio Aneu Sêneca, o senador amapaense insistiu na embromação: começou seu texto citando um pensador da Antiguidade, Aristóteles (384-322 a.C.). “A teorização da arte da política começa com Aristóletes”, ensinou. Errado. Ao menos outro pensador, Platão (427-347 a.C.), já havia feito isso em sua obra “A República”.

Na sequência, Sarney lembrou que Adolf Hitler – que dispensa apresentações – tinha horror à política. Bom exemplo. Mas pecou pela obviedade. Não passou pela cabeça “privilegiada” de Sarney sequer um nome tupiniquim de famigerados inimigos da política e da democracia.

Assim, na bucha, vêm à minha mente pelo menos cinco: Humberto de Alencar Castello Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo.

José Sarney não os conhece? Certamente sim. Flertou “politicamente” com eles todos. Isso ficará de forma indelével em sua biografia, tão prezada pelo presidente Lula. Sarney apenas não se lembrou deles, da mesma forma que não sabia que o regime militar, que os cinco representaram durante 21 anos, institucionalizou a prática de tortura contra cidadãos brasileiros.

Sarney ainda citou o conde Affonso Celso de Assis Figueiredo Júnior (1860-1938) e Vladimir Illitch Ulianov Lênin (ele arcaicamente escreve Lenine).

O primeiro exemplo pode ter sido um ato falho de Sarney. Se não, por que o “republicano e democrata” senador teria desencavado em seus alfarrábios a menção a um monarquista convicto, que publicou, em 1900, um livro chamado “Por que me ufano de meu país”, depois do qual a expressão “ufanismo” passou a designar nacionalismo – ou patriotismo – extremado.

Durante sua vivência entre parlamentares, o conde, segundo Sarney, teria identificado no Congresso um grupo de “políticos que fazem política à custa da honra dos colegas”. Lição de perspicácia do conde. Principalmente porque ele morreu bem antes do “Caso Reis Pacheco”, da farsa da tentativa de matar Ildon Marques, das “arapongagens” e demais trabalhos sujos do “faz-tudo” sarneysista Chiquinho Escórcio e da “máquina de repetição e propagação” de baixarias midiáticas do Sistema Mirante contra adversários políticos. Fosse Sarney contemporâneo do conde Affonso, viraria logo seu mais precioso objeto de estudo.

Quanto a Lênin, além de conceder a ele, equivocadamente, a paternidade do conceito de que “os fins justificam os meios” (é uma idéia, e não uma frase, presente em “O Príncipe”, principal obra do filósofo florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527), Sarney mais uma vez recorre a um exemplo óbvio de ojeriza aos métodos democráticos. O comunista Lênin é um bom modelo de tirania contra a livre circulação de idéias. Mas também há tiranos aos montes originários do mundo capitalista. Poderia ser Francisco Franco, Antônio de Oliveira Salazar, Richard Nixon, Margaret Thatcher, Ronald Reagan, George Bush, Getúlio Vargas etc. etc.

Poderia ser José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, o Censor, candidato a coveiro-mor dos direitos individuais no Brasil.

(*) Jornalista, editor do Jornal Pequeno


LULA QUER SE DISTANCIAR DE SARNEY, DIZ 'WALL STREET JOURNAL'

Crise no Senado
4 de agosto de 2009

José Sarney e Lula (Foto: Agência Brasil)
Os escândalos do Senado continuam repercutindo na imprensa estrangeira. Após o jornal britânico Financial Times noticiar, na segunda–feira, que uma possível renúncia de José Sarney atrapalharia a governabilidade de Lula, foi a vez do americano Wall Street Journal relatar os conflitos no Congresso Brasileiro.

A reportagem publicada nesta terça–feira pelo WSJ afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer se distanciar do peemedebista José Sarney. "Lula enfrenta um possível revés em meio a alegações de corrupção que colocaram pressão para que um importante aliado renuncie do comando do Senado", diz o texto.

Intitulada "Líder brasileiro quer distância de aliado", a reportagem do WSJ lembrou que esse afastamento entre os políticos é recente, pois o presidente defendia a permanência de Sarney na direção da Casa. "Na semana passada, durante uma entrevista coletiva, Lula disse que cortou seus laços, sugerindo que não vai mais defender Sarney", escreveu o repórter.

O Wall Street Journal afirmou também que José Sarney dificilmente sairá do Senado e citou os possíveis problemas que Lula pode enfrentar caso o ex–presidente decida sair do comando. "Uma renúncia sacudiria Sarney justo quando o presidente Lula precisa dele para liderar uma investigação no Congresso sobre práticas contábeis na Petrobras", disse a publicação que também lembrou das eleições presidenciais de 2010: "Depois de dois mandatos no poder, Lula não pode se reeleger, e os índices medíocres de popularidade de Dilma Rousseff sugerem que ela vai precisar de uma coalizão multipartidária para vencer."


DENÚNCIAS CONTRA SARNEY SERÃO MANDADAS AO ARQUIVO


Reúne-se nesta quarta (5) o Conselho de (a)Ética do Senado.

Fábio Pozzebom/ABr
Na pauta, 11 representações e denúncias contra José Sarney.

A 24 horas do início da partida, o jogo do conselho está jogado.

Os lances estão programados para acontecer assim:

1. Escalado por Renan Calheiros para presidir o colegiado que deveria zelar pela ética, Paulo Duque (PMDB-RJ) empurrará a encrenca com a barriga.

2. Informará ao conselho que, de acordo com o regimento do Senado, dispõe de cinco dias para analisar as representações.

3. Na noite desta segunda (3), Sarney disse a um interlocutor, em privado, que nada será decidido antes da próxima segunda (10).

4. Vencido o prazo, Duque revelará ao conselho e ao país a decisão que Renan e Sarney já tomaram por ele: as acusações serão enviadas ao arquivo.

5. A manobra tem amparo no regimento. O presidente do conselho tem poderes para arquivar denúncias ineptas sem ouvir o plenário.

6. Duque não deve nem mesmo oficiar Sarney para a apresentação de defesa. Dirá que as acusações são ineptas. E ponto.

7. Farejando o cheiro de queimado, a oposição já preparou o contra-ataque. Reza o regimento que as decisões do presidente são passíveis de recurso.

8. Com as assinaturas de cinco dos 15 integrantes do Conselho de Ética, pode-se exigir que a decisão de Paulo Duque seja levada a voto.

9. José Agripino Maia já dispõe de requerimento subscrito por cinco conselheiros –dois tucanos e três ‘demos’.

10. Sarney e Renan estimam que, submetido a voto, o arquivamento a ser proposto por Duque prevalecerá por dez a cinco.

11. O regimento faculta à oposição novo recurso, dessa vez ao plenário do Senado.

12. Esboçada antes do recesso, a tática do grupo de Sarney foi reiterada em reunião realizada na noite do último domingo (2).

13. Deu-se numa reunião na casa do próprio Sarney. Participaram, além do anfitrião, Renan Calheiros, Gim Argello e o ministro Edison Lobão (Minas e Energia).

14. Participou da conversa também o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

15. Acionado por Sarney, Kakay analisara a fundamentação das acusações feitas contra o presidente do Senado.

16. O advogado informou a Sarney e Cia. que, do ponto de vista estritamente jurídico, as representações levadas ao Conselho de Ética têm peso zero.

17. Na noite desta segunda (3), Kakay voltou à casa de Sarney. Saiu de lá convencido de que não terá de redigir memoriais nem fazer a defesa oral do cliente.

18. De resto, Kakay encontrou um Sarney animado para o embate. Nada fazia crer que flertasse com a renúncia.

19. Antes, em diálogos privados que mantivera com milicianos de sua tropa de choque, Sarney já havia se apresentado de lanças em punho.

20. Sarney animara-se com a refrega que eletrificara o plenário do Senado na sessão vespertina.

21. Refugiado em seu gabinete, acompanhara pela TV a refrega entre Renan Calheiros, Fernando Collor e Pedro Simon.

22. Para Sarney, Collor e Renan lograram levar às cordas o desafeto Simon. Planeja-se fazer o mesmo com todos os que se aventurarem a pedir a sua renúncia.

23. Nesta terça (4), deve subir à tribuna o líder tucano Arthur Virgílio. No dizer de Renan, trata-se de um “réu confesso”.

24. O PMDB arma contra Virgílio uma representação no Conselho de Ética. O tucano identifica no gesto uma “chantagem”. Diz que não vai calar.

25. Até que as acusações contra Sarney cheguem ao plenário, a rotina do Senado deve se resumir a isso: discursos de ataque e apartes de defesa.

26. Em meio à anormalidade, a bancada governista tentará retomar a normalidade das votações.


PT MANTÉM DEFESA DO AFASTAMENTO DE SARNEY, DIZ MERCADANTE


Líder do PT acredita que licença ajudaria a resolver crise no Senado.
'Só não pode virar briga de rua', diz senador Romero Jucá.

Eduardo Bresciani
Do G1, em Brasília

O líder do PT no Senado, Aloízio Mercadante (SP), afirmou nesta terça-feira (4) que o partido continuará defendendo o afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da Presidência do Senado. Mercadante participa de uma reunião com senadores do oposição e governo para discutir a situação de Sarney e a estratégia do PMDB para defendê-lo.

Uma reunião do PT para rediscutir a situação do Sarney, prevista para esta tarde, foi cancelada. “Nossa bancada já tomou decisão em relação a crise do senado. Essa posição foi expressa em duas notas e está mantida (...) Nenhum senador me pediu para mudar essa posição”.

Na visão de Mercadante, “a licença de Sarney é o melhor caminho para resolver a crise no Senado e evitar o conflito”. Ele disse estar procurando líderes de todos os partidos na Casa para procurar uma saída para a crise.

Alguns senadores que defendem o afastamento de Sarney, no entanto, defendem uma organização do grupo. Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) considerou negativa a segunda-feira (3) devido ao bate-boca entre Pedro Simon (PMDB-RS), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL). Para ele, a oposição precisa se organizar.

“A oposição tem que ser firme, determinada, mas não responder no mesmo tom. (...) A oposição tem de se organizar”, afirmou Vasconcellos.

Romero Jucá

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu nesta terça-feira que a crise no Senado seja resolvida dentro da disputa política e sem agressões pessoais. Jucá também participa da reunião no gabinete do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) com senadores de vários partidos.

“Temos que ter tranqüilidade e cabeça fria para colocar a Casa nos eixos e tratar as questões com responsabilidade. É pela política que se resolve essas questões. Enquanto for briga política faz parte da democracia, só não pode virar briga de rua”, disse o líder do governo em uma clara referência aos bate-bocas em plenário nessa segunda-feira (3).

Jucá afirmou que o governo não irá interferir na crise do Senado. “Essa é uma questão e um processo interno, sem qualquer interferência do governo”.

O líder do governo enfatizou que a proximidade das eleições no próximo ano não pode contaminar o debate dentro da Casa e afirmou que o Conselho de Ética tem de funcionar normalmente. Nesta quarta-feira (5), o Conselho de Ética se reúne e iniciará a discussão dos 11 pedidos de investigação contra o presidente do Senado.


COM A PALAVRA O LEGÍTIMO GOVERNADOR


Cem dias de volta ao atraso

Por Jackson Lago

O governo ilegítimo da senhora Roseana Sarney Murad ultrapassou a marca dos cem dias. Nesse período, a população assistiu estarrecida a repetição daquilo que foi a marca registrada das administrações anteriores dessa senhora: a propaganda maciça, principalmente através da televisão, das intenções do governo. Essas intenções, no entanto, nunca se concretizam em ações ou em obras.

Nos cem dias agora completos, o Maranhão viveu o drama das enchentes, em níveis nunca vistos, e cujas consequências até hoje perduram. Cerca da metade dos municípios maranhenses decretaram situação de emergência em seus territórios. Como o governo estadual agiu? Depois de exigir que o governo federal enviasse um bilhão de reais de ajuda, posou para as câmeras e voltou para o conforto de seus palácios, abandonando os atingidos à própria sorte. Além do mais, surrupiou dos municípios recursos que haviam sido transferidos legal e legitimamente por meu governo às administrações municipais e que seriam utilizadas em obras anteriormente previstas, mas que poderiam minorar o sofrimento das populações afetadas pelas cheias.

Mas, os cem dias agora transcorridos significam, também, a interrupção de um caminho que vinha tirando o Maranhão do atraso que 40 anos de poder oligárquico o haviam mergulhado. Não vou me referir sequer a áreas mais visíveis, como Educação, Saúde ou Infraestrutura, nos quais houve consideráveis avanços, que os governantes de hoje pretendem desconsiderar ou desconstruir.

Falo, por exemplo, da área da Segurança Cidadã, trabalho que vinha sendo elogiado nacionalmente, pelos avanços que vinham sendo conquistados pouco a pouco, apesar da sórdida campanha levada a efeito pelo sistema de mentira implantado pela oligarquia. Toda e qualquer ação dos bandidos era amplificada ao máximo pelos meios de comunicação da oligarquia, que diziam que com eles no governo as coisas seriam diferentes. E estão sendo: o número de crimes aumentou enormemente, em especial aqueles mais violentos. E o próprio secretário da área desconhece os avanços nacionais: na Conferência realizada há poucos dias (Conseg), o secretário mostrou sua ignorância quanto ao Programa Nacional de Segurança com Cidadania, o Pronasci.

Falo, também, da área da Assistência Social. A gestora que havíamos nomeado ajudou a formular a política nacional para a área, e vinha de uma experiência exitosa à frente da Secretaria Municipal de São Luís. Hoje, os avanços que conquistamos e os técnicos que formamos estão sendo desperdiçados.E posso falar, ainda, da Cultura. Promovemos a democratização e a interiorização das ações nessa área, prestigiando as manifestações das mais diversas regiões. Da mesma forma que na Assistência Social, a política cultural nacional teve contribuição do secretário que havíamos nomeado. A população e os prefeitos já sentiram a diferença entre os festejos juninos deste ano e os ocorridos nos anos anteriores...

Poderíamos nos estender indefinidamente para mostrar que, na verdade, estes cem dias foram uma volta ao atraso. Mas, o espaço que temos não nos permite. A população, no entanto, sabe. Sente diretamente na pele a mudança no estilo de governar. E, ao contrário de antes, sabe que as coisas podem ser mudadas. A propaganda maciça, que iludia as multidões, não tem mais a força que possuía.O Maranhão mudou.


ESTADÃO: GRUPO DE SARNEY AMEAÇA ADVERSÁRIOS COM DOSSIÊS


SARNEY DIZ QUE FICA E TROPA DE CHOQUE AMEAÇA OPOSIÇÃO COM DOSSIÊ
Eugênia Lopes e Vera Rosa
O Estado de S. Paulo
Apoiados pelo Palácio do Planalto, os aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cumpriram à risca a estratégia montada na semana passada e voltaram do recesso acuando a oposição, que pede sua renúncia do cargo. O próprio Sarney, após indicar para aliados e familiares, na semana passada, que iria renunciar, ontem mudou de ideia, reforçou a corrente de resistência da tropa de choque e negou que vá deixar o cargo. "Isso não existe, isso não existe", repetiu, ao deixar o plenário.

Na sessão, os aliados de Sarney revelaram abertamente que preparam "dossiês" sobre senadores da oposição. Também "vazaram" denúncias de irregularidades praticadas por desafetos do presidente da Casa. "Eu peguei todos os atos. Xeroquei do original. Tem a assinatura de cada um dos líderes lá avalizando as atitudes tomadas pelo presidente. Eu tenho os documentos", avisou Wellington Salgado (PMDB-MG), da tropa de Sarney, em plenário. Pelo raciocínio do grupo, se ele cair, não será sozinho.

A senha para o ataque foi o discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que pediu a renúncia de Sarney da presidência. Liderada por Renan Calheiros (PMDB-AL), a reação contou com a adesão de Fernando Collor (PTB-AL), que reeditou o estilo "bateu levou", da época em que presidiu o Brasil, entre 1990 e 1992, antes de ser alvo de processo de impeachment e ter o mandato cassado.

Momentos antes de o clima de beligerância tomar conta do plenário, Sarney saiu e se recolheu a seu gabinete. "Estou com um espírito muito bom. Nunca deixei de estar confiante", afirmou, ao ser indagado se estava tranquilo para enfrentar os 11 pedidos de investigação protocolados no Conselho de Ética.

Desde que assumiu, em fevereiro, Sarney vem sendo alvo de denúncias que envolvem emprego de familiares, uso de atos secretos no Senado e desvios da fundação que leva seu nome.

Os aliados passaram o início da tarde tentando pôr panos quentes na crise e refutando a hipótese de renúncia. "Isso aqui não é como time de futebol, que troca de técnico a toda hora", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Não existe possibilidade de renunciar", emendou Salgado.

Ao ser indagado sobre a nota do PMDB, divulgada anteontem, que aconselhou os dissidentes a saírem da legenda, em uma referência a Simon e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Jucá tentou amainar a crise. "Se estamos trabalhando para desidratar a crise, não há como jogar mais combustão", disse.

A decisão do Palácio do Planalto de apoiar Sarney foi tomada com base na certeza de que, se ele cair agora, a derrota será debitada pelo PMDB na conta do PT. O argumento é que o senador pode até não resistir à guerra e renunciar ao cargo, mas não é inteligente o PT empurrá-lo para o abismo. Ao contrário, trata-se, no diagnóstico do governo, de "tática suicida".

Na tentativa de baixar a temperatura da crise, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, reuniu ontem para jantar os senadores Renan, Aloizio Mercadante (PT-SP), Gim Argello (PTB), Jucá, Ideli Salvatti (PT-SC) e o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). A mesa era a expressão das divergências na base aliada. Berzoini criticou em tom duro a nota divulgada na semana retrasada por Mercadante pedindo o afastamento de Sarney.

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