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sábado, 22 de agosto de 2009

AS BAIXAS DO PT COM LULA PRESIDENTE


Desde a primeira eleição de Lula, em 2003, partido vem sendo criticado por mudanças em seu padrão ético. E perdeu deputados, senadores e figuras históricas

JOSÉ ANTÔNIO LIMA

A última semana marcou um dos períodos mais tensos para o PT desde a chamada crise do mensalão, em 2005. Ao encabeçar a defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o partido chegou perto de ver seu líder na Casa renunciar ao cargo, esteve sob uma saraivada de críticas a respeito de seu padrão ético e perdeu dois senadores. Desde que assumiu o poder, com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto em 2003, pelo menos 14 políticos influentes já deixaram o PT (confira a relação abaixo). Em comum, o fato de todos terem criticado as atitudes que distanciam o partido de seus ideais fundadores.

Para o cientista político José Álvaro Moisés, professor da Universidade de São Paulo (USP), o PT passou por uma grande mudança desde que se tornou governo e ruma no sentido do pragmatismo. “O partido adotou o que alguns chamam de realismo político e passou a se curvar a alguns interesses institucionais como se não houvesse alternativa”, diz. “É uma completa ruptura com o que o PT representava em sua origem”, afirma.

O mais relevante desses interesses institucionais atualmente é a aliança com o PMDB. Como essa relação garante a maioria a Lula e pode render frutos em 2010 – quando Dilma Rousseff disputará a Presidência da República – o PT se destacou tanto na defesa de Sarney quanto na de Renan Calheiros (PMDB-AL), que deixou a presidência do Senado em 2007 em meio a denúncias de irregularidades. Nesta sexta-feira (21), o senador Aloizio Mercadante (SP) recuou do que havia dito e afirmou que permanecerá na liderança do PT no Senado, mas deixou clara sua insatisfação sobre a relação do partido com o PMDB. Segundo ele, o PT estava “pagando um custo político que não pode pagar” por conta desse apoio. “Nós precisamos lutar contra o patrimonialismo, pela reforma das instituições, e essa luta não pode se perder em busca da governabilidade”, afirmou Mercadante.

Para Moisés, ao se aliarem a Sarney, Lula e o PT referendaram “a posição mais tradicional do patrimonialismo”, que é o uso da política como patrimônio particular. Uma forma de combater o patrimonialismo de que fala Mercadante é aumentar a transparência das instituições. “Na fundação do PT, além da ideia de mudança social, havia uma proposta para democratizar a política, o que envolve criar elementos para controlar quem detém o poder”, diz o professor da USP.

O senador Eduardo Suplicy (SP), um crítico da postura recente do PT, avalia que a imagem da legenda já foi bastante afetada, e que é preciso resgatar os valores da fundação do partido. “Temos que reconhecer essa situação e tomar medidas para dar maior transparência ao Senado e a outras instituições”, diz. Alguns dos quadros políticos perdidos pelo PT têm bastante relevância no cenário nacional, e três deles podem concorrer com a ministra Dilma Rousseff em 2010 – Marina Silva, que deve ir para o PV, e Heloísa Helena (PSOL-AL) e Cristovam Buarque (PDT-DF), que já disputaram a eleição de 2006, vencida por Lula. Segundo Suplicy, essa é a única forma de mitigar a transformação do custo político em custo eleitoral. "Há uma cobrança enorme da sociedade ao partido e ela vai continuar até que venhamos a corrigir esses problemas", diz.

Confira abaixo os nomes de alguns dos principais políticos que deixaram o PT desde que o presidente Lula assumiu o cargo, em 2003.

Alguns dos principais petistas que deixaram o partido desde 2003
O ex-deputado federal Babá (PA) participava de um movimento interno do PT que passou a criticar as decisões do governo Lula que considerava “neoliberais” e, portanto, não adequados ao programa do partido. Quando começaram a votar contra o governo Lula na Câmara e no Senado, acabaram expulsos.
O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) deixou o PT em 2005 após Plínio de Arruda Sampaio perder a eleição para a presidência do partido, realizada em meio ao escândalo do mensalão. “O PT saiu de si mesmo ao negar os valores que construiu ao longo da história”.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) era ministro da Educação de Lula e, em 2004, foi demitido por telefone. Ficou no partido até 2005. “Eu não saí do PT, foi o PT que saiu de mim. Este é o grande crime do PT. O partido é de gente honesta, mas acomodada. A corrupção é de alguns petistas.”
O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) deixou do PT em 2003 alegando que não concordava com as posições que o governo estava tomando com relação a questões ambientais. “Tudo tem limite”, disse ele na época.
O senador Flávio Arns foi para o PT em 2002, após deixar o PSDB. Na quarta-feira (19), após o arquivamento das ações contra José Sarney (PMDB-AP) no Conselho de Ética, disse que iria deixar o partido. “O PT jogou a ética no lixo, vai ter que achar outra bandeira. Posso dizer que tenho vergonha de estar no PT”. Ele foi acusado de usar o PT para se promover.
O jurista Hélio Bicudo, um petista histórico, deixou o PT em 2005 em meio ao escândalo do mensalão. Em 2006, declarou voto em José Serra (PSDB).
A ex-senadora Heloísa Helena encabeçava um movimento interno do PT que passou a criticar as decisões do governo Lula que considerava “neoliberais” e, portanto, não adequados ao programa do partido. Quando começaram a votar contra o governo Lula na Câmara e no Senado, acabaram expulsos.
O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) deixou o PT em 2005, também depois que Plínio de Arruda Sampaio perdeu a eleição para a presidência do partido. Em 2008, se disse chocado com o partido. “O que impressiona é que um partido possa estar negociado com dois, três partidos, mesmo que eles sejam adversários e até inimigos”.
A deputada Luciana Genro (PSOL-RS) participava do mesmo movimento de Heloísa Helena e foi expulsa depois de votar contra o PT.
O ex-deputado João Fontes (SE) participava do mesmo movimento interno do PT que passou a criticar as decisões do governo Lula em 2003. Foi expulso junto com Heloísa Helena.
A senadora Marina Silva deixou o PT na quarta-feira (19), após 30 anos militando pela legenda. “Já tive uma visão idealista, hoje tenho a clareza de que todos [os partidos] têm problemas a serem saneados”.
O ex-deputado federal Orlando Fantazzini (PPS) deixou o PT em 2005, também depois que Plínio de Arruda Sampaio perdeu a eleição para a presidência do partido, ganha por Ricardo Berzoini em meio ao escândalo do mensalão.
Petista histórico, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) deixou o partido após perder o primeiro turno das eleições internas, realizadas em meio ao escândalo do mensalão. “O PT esgotou seu papel como instrumento de transformação da realidade brasileira”.
Soninha Francine, atualmente subprefeita da Lapa, em São Paulo, deixou o PT em 2007 para disputar a Prefeitura pelo PPS. Disse estar “desiludida” com o PT, “no sentido exato de não ter muita ilusão”.


ANALISTAS QUESTIONAM 'LIMITES' DA ATUAÇÃO DO GOVERNO NA CRISE DO SENADO

Fabrícia Peixoto
Da BBC Brasil em Brasília

A decisão do PT de trabalhar para impedir a investigação no Congresso das acusações de uso do cargo em benefício próprio contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), reflete uma opção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela preservação da aliança com o PMDB, de olho nas eleições de 2010, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Um dos principais aliados do governo no Congresso, Sarney enfrenta uma série de acusações, incluindo a de utilizar o cargo de presidente do Senado para nomear e exonerar parentes por meio de atos secretos.

Para o cientista político e diretor do Centro de Pesquisa e Comunicação (Cepac), Humberto Dantas, ao atuar a favor de Sarney, Lula vem "sistematicamente" rompendo com princípios que marcaram a atuação do PT na história política do país, como o combate à corrupção e ao uso da administração pública para fins pessoais.

"Mesmo dentro do jogo político e do pragmatismo, existem certos limites", diz Dantas. "A aproximação ao PMDB e ao senador José Sarney não compensam o desgaste pelo qual o presidente Lula e seu partido estão passando."

Durante a sessão do Conselho de Ética do Senado que arquivou as denúncias contra Sarney, na quarta-feira, o PT divulgou uma nota em que orientava os senadores do partido a votar pelo arquivamento.

No texto, o presidente do partido, Ricardo Berzoini, pedia a apuração das irregularidades pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, mas atribuía a crise em torno de Sarney a uma "disputa política relacionada às eleições de 2010".

"A forma como as denúncias concentram-se no presidente do Senado, José Sarney, não deixa dúvidas de que, mais que apurar e reformar, a pretensão é incidir nas relações entre partidos, que apoiam o governo ou que podem constituir alianças para as eleições nacionais e estaduais do próximo ano", dizia a nota.

Após a divulgação da nota, o senador Flávio Arns (PT-PR) disse que o partido “pegou a folha da ética e jogou no lixo” e anunciou que está deixando o PT.

O líder do partido no Senado, Aloizio Mercadante (SP), também chegou a ameaçar deixar a liderança da bancada, mas recuou da decisão após uma conversa com o presidente Lula.

Em discurso no Plenário do Senado, nesta sexta-feira, Mercadante disse que a aliança com o PMDB deve ser "preservada", mas que algumas questões defendidas pelo PT "não podem se perder em nome da governabilidade".

Eleições

A aliança com o PMDB, maior partido não apenas no Congresso Nacional, mas também com forte presença em todas as regiões, é considerada peça fundamental nas eleições presidenciais do próximo ano.

Além disso, a parceria com o PMDB pode dobrar o tempo a que o PT terá direito no horário eleitoral gratuito, canal de campanha importante principalmente para candidatos que não são conhecidos do grande público, como no caso da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef.

De acordo com a última pesquisa do Datafolha, a preferência pela ministra é de 16%, mesmo número registrado no levantamento anterior. O governador de São Paulo, José Serra, aparece com 37% e o deputado federal Ciro Gomes, com 15%.

O cientista político Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais, diz que o presidente Lula fez um "cálculo": o de que vale sofrer o desgate de apoiar o PMDB e, assim, ter o respaldo do partido à candidatura da ministra Dilma.

"Ao defender o senador José Sarney, mesmo colocando sua própria imagem em risco, o presidente Lula mostra o quanto ainda precisa de seus aliados no PMDB", diz Reis.

"Essa aproximação condiz com a lógica do nosso sistema político, multipardiário e que, portanto, estimula essas coalizões. O fato de Lula se mostrar solidário a Sarney é algo explicável dentro da lógica do nosso sistema", acrescenta.

Custo "calculado"

Na opinião de Humberto Dantas, o sistema político brasileiro "estimula" coalizões e barganhas, pois cabe ao próprio presidente "costurar" a maioria no Legislativo, mas isso não impede o governante de "fazer escolhas".

"O próprio sistema obriga os governantes a fazer alianças improváveis. Mas vejo um certo exagero na aproximação entre o presidente Lula e o PMDB. O presidente pode, sim, fazer escolhas mais acertadas, mesmo dentro de um mesmo partido", diz o diretor do Cepac.

O professor Lúcio Rennó, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, avalia que o presidente Lula enfrenta um momento político "delicado", mas diz que isso "está longe de ser um problema para o governo".

"Sim, o presidente Lula tem forte relação de dependência com seus aliados no PMDB. Mas pelos cálculos do governo, o ganho nessa relação ainda é grande", diz o professor.

"Mesmo que esses escândalos criem uma demanda pela moralização na política, na visão do governo Lula o PMDB é fundamental para eleger um sucessor em 2010", conclui Rennó.


CASO SARNEY AMEAÇA 'PARALISAR' GOVERNO LULA, DIZ NY TIMES


Para jornal, Lula confia no PMDB para dar
controle à Petrobras do pré-sal
Uma reportagem do jornal americano New York Times desta sexta-feira afirma que o escândalo provocado pelas denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney, ameaça paralisar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

"O líder do Senado do Brasil está sob forte pressão para renunciar em meio a um escândalo de nepotismo e corrupção que ameaça paralisar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o último ano do seu mandato", afirma a reportagem.

O texto intitulado "Escândalo pressiona um líder brasileiro a renunciar" é assinado de Brasília pelo jornalista Alexei Barrionuevo.

'Controle sem precedentes'

"As acusações contra Sarney envolveram o Senado em mais uma batalha intensa sobre o destino da sua liderança", lembrando as denúncias que levaram à renúncia de Renan Calheiros da presidência da Casa, há dois anos.

"O mais recente 'débâcle' vem em um momento difícil para Lula, que aguentou escândalos no seu próprio Partido dos Trabalhadores que obrigaram grandes autoridades a renunciarem."

O jornal diz que apesar de sua alta popularidade, Lula confia em sua aliança com o PMDB de Sarney para manter a "maioria magra" no Senado. O diário afirma ainda que o governo está preparando um proposta que daria à Petrobras "controle sem precedentes do desenvolvimento de grandes poços de petróleo em águas profundas [na camada pré-sal] que poderiam transformar o Brasil em uma superpotência, segundo uma pessoa que conhece a proposta de lei".

Além disso, o jornal afirma que Lula precisa de apoio dentro do Congresso para a candidatura da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência em 2010.

Segundo o New York Times, os escândalos envolvendo Sarney também complicariam as investigações do Congresso sobre possíveis erros cometidos pela Petrobras – "um inquérito que poderia durar até 180 dias".


'LULA NÃO FARÁ SEU SUCESSOR", DIZ O DONO DO IBOPE

DEU NA VEJA

Carlos Augusto Montenegro é um dos mais experientes analistas do cenário político nacional. Presidente do Ibope, empresa que virou sinônimo de pesquisa de opinião pública no Brasil, ele acompanhou com lupa todas as eleições realizadas no país desde a volta à democracia, em 1985.

Agora, faltando pouco mais de um ano para a sucessão presidencial, Montenegro faz uma análise que o consagrará se acertar. Se errar? Bem, dará às pessoas o direito de igualarem seu ofício às brumas da especulação.

Em entrevista ao editor Alexandre Oltramari, Montenegro aposta que o governo, apesar da imensa popularidade do presidente Lula, não conseguirá fazer o sucessor – no caso, a ministra Dilma Rousseff. Também afirma que o PT está em processo de decomposição.

O que os acontecimentos da semana passada revelaram sobre o PT?

Que o partido deu um passo a mais na direção de seu fim. O PT passou vinte anos dizendo que era sério, que era ético, que trabalhava pelo Brasil de uma maneira diferente dos outros partidos. O mensalão minou todo o apelo que o PT havia acumulado em sua história. Ali acabou o diferencial. Ali acabou o charme. Todas as suas lideranças foram destruí-das. Estrelas como José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci se apagaram. Eu não diria que o partido está extinto, mas está caminhando para isso.

Mas por trás do apoio ao PMDB e ao senador Sarney não está exatamente um projeto de poder do PT?

É um projeto de poder do presidente Lula. O desempenho eleitoral do PT depois do mensalão foi um vexame. Em 2006, com exceção da Bahia, o partido só venceu em estados inexpressivos. Nas eleições municipais de 2008, entre as 100 maiores cidades, perdeu em quase todas. Lula sempre foi contra a reeleição e só resolveu disputá-la para tentar salvar o PT. Sua reeleição foi um plebiscito para decidir se deveria continuar governando mais quatro anos ou não. Mas tudo indica que agora ele não fará o sucessor justamente por causa da mesmice na qual o PT mergulhou.

Ao contrário do que muita gente acredita, o senhor aposta que Lula, mesmo com toda a popularidade, não conseguirá eleger o sucessor.

Uma coisa é ele participar diretamente de uma eleição. Outra, bem diferente, é tentar transferir popularidade a alguém. Sem o surgimento de novas lideranças no PT e com a derrocada de seus principais quadros, o presidente se empenhou em criar um candidato, que é a Dilma Rousseff. Mas isso ocorreu de maneira muito artificial. Ela nunca disputou uma eleição, não tem carisma, jogo de cintura nem simpatia. Aliás, carisma não se ensina. É intransferível. "Mãe do PAC", convenhamos, não é sequer uma boa sacada. As pessoas não entendem o que isso significa. Era melhor ter chamado a Dilma de "filha do Lula".

Porém já existem pesquisas que colocam Dilma Rousseff na casa dos 20% das intenções de voto.

A Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela. A transferência de votos ocorre apenas no eleitorado mais humilde. Mas isso não vai decidir a eleição. Foi-se o tempo em que um líder muito popular elegia um poste. Isso acontecia quando não havia reeleição. Os eleitores achavam que quatro anos era pouco e queriam mais. Aí votavam em quem o governante bem avaliado indicava, esperando mais quatro anos de sucesso.

Diante do quadro político que se desenha, quais são então as possibilidades dos candidatos anunciados até o momento?

Faltando um ano para as eleições, o governador de São Paulo, José Serra, lidera as pesquisas. Ele tem cerca de 40% das intenções de voto. Em 1998, também faltando um ano para a eleição, o líder de então, Fernando Henrique Cardoso, ganhou. Em 2002, também um ano antes, Lula liderava – e venceu. O mesmo aconteceu em 2006. Isso, claro, não é uma regra, mas certamente uma tendência. Um candidato que foi deputado constituinte, senador, ministro duas vezes, prefeito da maior cidade do país e governador do maior colégio eleitoral é naturalmente favorito. Ele pode cair? Pode. Mas pode subir também.

A entrada em cena de Marina Silva, que deixou o PT para disputar a eleição presidencial pelo PV, altera o quadro sucessório?

A Marina é a pessoa cuja história pessoal mais se assemelha à do Lula. É humilde, foi agricultora, trabalhou como empregada doméstica, tem carisma, história política e já enfrentou as urnas. Além disso, já estava preocupada com o meio ambiente muito antes de o tema entrar na agenda política. Ela dificilmente ganha a eleição, mas tem força para mudar o cenário político. Ser mulher, carismática e petista histórica é sem dúvida mais um golpe na candidatura de Dilma.

Na hora de votar, o eleitor leva em consideração o perfil ético do candidato?

Uma pesquisa do Ibope constatou que 70% dos entrevistados admitem já ter cometido algum tipo de prática antiética e 75 % deles afirmaram que cometeriam algum tipo de corrupção política caso tivessem oportunidade. Isso, obviamente, acaba criando um certo grau de tolerância com o que se faz de errado. Talvez esteja aí uma explicação para o fato de alguns políticos do PT e outros personagens muito conhecidos ainda não terem sido definitivamente sepultados.


"É PARA SALVAR O SARNEY"


Como foi armada e executada a operação para enquadrar o PT e arquivar as denúncias contra Sarney em troca do apoio do PMDB a Dilma

Otávio Cabral

NO FINAL, TODOS SAÍRAM FELIZES
O peemedebista Romero Jucá e Renan Calheiros comemoraram o arquivamento das acusações contra o senador José Sarney

A operação que salvou o presidente do Senado, José Sarney, começou no fim da tarde da quarta-feira 12 de agosto. O presidente Lula convocou para uma conversa seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e o presidente do PT, Ricardo Berzoini. Relatou aos dois um recado que havia recebido na véspera dos senadores José Sarney e Renan Calheiros. A dupla avisara que, caso o PT se negasse a usar sua força para engavetar os processos contra o presidente do Senado, o PMDB abandonaria a campanha presidencial de Dilma Rousseff. "Não vamos aceitar jogo de cena do PT", disse Calheiros. Preocupado, Lula determinou a Berzoini e Carvalho que levassem a seguinte ordem ao senador Aloizio Mercadante, líder do partido no Senado: "É para salvar o Sarney".

Embora tenha sido exitosa, a missão não era simples. Os senadores do PT estavam divididos entre a lealdade ao presidente e a própria sobrevivência política. A maioria não tinha nenhum problema de consciência em absolver Sarney, mas temia se desgastar junto à opinião pública. Afinal, cerca de 70% dos brasileiros, segundo pesquisa do instituto Datafolha, querem vê-lo fora do comando do Senado. Contrariar a opinião pública, faltando pouco mais de um ano para as eleições, é sempre uma temeridade. O foco de resistência era o Conselho de Ética. Dois dos três representantes do partido, Delcídio Amaral e Ideli Salvatti, não queriam votar publicamente pela absolvição de Sarney, embora sejam ferrenhos aliados do senador. Estavam receosos do reflexo que isso poderia ter na campanha no ano que vem. O único senador totalmente à vontade para defender Sarney era o amazonense João Pedro. Suplente, sem voto e, portanto, sem motivo para ter vergonha, João Pedro é um antigo companheiro de pescaria de Lula e faz qualquer coisa para agradar-lhe. Os dois votos petistas levariam Sarney ao cadafalso.

Para contornar o problema, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, sugeriu a substituição do senador Delcídio Amaral pelo suplente, Roberto Cavalcanti, do PRB da Paraíba (voto pró-Sarney). Ideli Salvatti se absteria na hora de verbalizar sua decisão e todos sairiam felizes. Havia, porém, outro problema. O líder Aloizio Mercadante já tinha dito publicamente que não patrocinaria nenhuma manobra para salvar Sarney. Cabe apenas ao líder substituir os membros das comissões. Ficou acertado que, para evitar o constrangimento, Mercadante faria uma "viagem" ao Uruguai por uns dias. Ele topou a armação, mas, depois de pensar bem, voltou atrás. Na tarde da sexta-feira 14, ligou para Gilberto Carvalho para avisar que desmarcara a "viagem". Mercadante concluiu que a manobra o desgastaria ainda mais perante o eleitorado. "Não vou mais. Na segunda-feira estarei no Congresso." A quebra do acordo irritou o presidente Lula e o PT, que sentiu na decisão de Mercadante cheiro de traição e de uma indesejada rebelião no partido.

No fim de semana, Lula resolveu cuidar pessoalmente do trabalho de alinhamento dos senadores petistas, escalando uma tropa de choque para convencê-los da importância da missão. E que tropa. José Dirceu, o "capitão" do time de Lula que hoje é réu sob a acusação de chefiar a quadrilha do mensalão, naquele tom que lhe é característico conforme o nível de servilismo ou resistência do interlocutor, falou aos colegas sobre a necessidade de salvar Sarney para ter o PMDB ao lado de Dilma em 2010. Seu principal adversário dentro do PT, o ministro Tarso Genro, da Justiça, também ajudou na operação – usando a ameaça como argumento. A mando de Lula, Genro procurou o senador Paulo Paim, seu conterrâneo do Rio Grande do Sul, e falou que ele só seria candidato à reeleição se não fizesse nenhuma manifestação contra Sarney. Paim se calou.

O senador Mercadante, já sem controle da bancada que acreditava liderar, passou a protagonizar um vexame atrás do outro. Depois de desistir da farsa uruguaia, ainda ouviu um sermão de Ricardo Berzoini e Gilberto Carvalho. Os dois disseram ao senador que o governo não aceitava sua posição dúbia e que ele deveria substituir, sim, Delcídio Amaral e Ideli Salvatti no Conselho de Ética. Mercadante, então, ameaçou pela primeira vez renunciar à liderança do PT no Senado. Embora ninguém tenha pedido que ficasse, ele não consumou a ameaça, advertido por Berzoini de que ainda poderia ficar sem legenda para disputar a eleição paulista de 2010. O passo seguinte foi chamar Delcídio e Ideli para uma conversa. "Ser governo tem ônus e bônus. Agora é a hora do ônus", explicou Berzoini. A dupla aceitou a missão. Na noite de terça-feira, Berzoini foi à casa da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e, na presença do senador, informou: "Vamos cumprir integralmente o acordo".

No rol de humilhações, a cúpula do PT produziu mais uma para enquadrar Mercadante. Exigiu que ele lesse uma nota do partido orientando os senadores a votar pela absolvição de Sarney. Quem acabou lendo a nota foi o suplente João Pedro. Delcídio e Ideli passaram a sessão calados e cabisbaixos, com o rosto enfiado em jornais e revistas, para fugir das câmeras de televisão. Na hora de votar, disseram "sim" para Sarney fora dos microfones. Mercadante anunciou que renunciaria à liderança do partido. O senador chegou a marcar a hora do discurso da renúncia, a qual anunciou como "irrevogável". Mas, depois de uma conversa com Lula, a coragem passou. Ele então fez uma das mais convolutas piruetas político-semânticas de que se tem notícia. Mercadante conseguiu o feito digno de guru indiano de "renunciar à renúncia" e "revogar o irrevogável". Continuará liderando a tropa petista sobre a qual ele já não exerce liderança alguma. Em sentido inverso, a senadora Marina Silva cumpriu o que anunciou e abandonou o PT. O mesmo ocorreu com o senador Flávio Arns, que nem anúncio prévio fez. Ao se transformar em um partido em que um Renan vale mais do que uma Marina Silva, o PT perdeu o pouco de brilho que sua estrela ainda emanava.


Todo mundo quer ser doutor

Pode ser um sinal de que, em certo sentido, a era Lula foi superada

Monica Weinberg

Ricardo Stuckert/PR
DOUTOR HONORIS CAUSA Lula recebe um título na Fiocruz: "Diploma não mede inteligência"

Aconteceu na semana passada, e deverá acontecer com frequência daqui em diante: pequenos sinais no debate político mostrando que, em certo sentido, a era Lula está sendo superada. O episódio teve como protagonistas o senador petista Aloizio Mercadante e o governador de São Paulo, José Serra, possível candidato tucano na campanha presidencial de 2010. O tema da discussão era o diploma universitário. Desta vez, no entanto, o que estava em jogo eram o brilho e a exatidão do currículo acadêmico de cada um – e não o valor prático ou simbólico da educação formal, um assunto sobre o qual Lula discursou tantas vezes, quase sempre de maneira infeliz.

Ao longo de toda a carreira política, Lula se esforçou (com sucesso) para provar que um torneiro mecânico que jamais chegou à universidade estava apto a exercer a Presidência do país. Bastava martelar a tecla de que numa democracia as oportunidades devem estar abertas a todos. Mas ele também lançou mão de outros dois tipos de argumento. Primeiro, dizer que o diploma é um emblema da "elite" – palavra que no léxico da esquerda é sinônimo de "escória". Mais que enfeitar a parede, o canudo serviria para marcar a diferença entre quem pode e quem não pode exercer o poder. O segundo tipo de argumento expressa um certo anti-intelectualismo – uma certa apologia do "homem simples". Em diversos palanques, Lula bradou frases do tipo "No Brasil, todo mundo tem o hábito de confundir título universitário com sabedoria" ou "Diploma não mede a inteligência de ninguém". Ter coração, diz o presidente, é mais importante do que ser letrado.

Transformar a educação formal num dos atributos da elite malvada é o tipo de ideia que dificilmente aparecerá na próxima eleição presidencial. Na verdade, o debate já enveredou por outro caminho: o de valorizar a formação universitária e o diploma – mesmo aquele que não se tem. Num de seus muitos tropeços da semana passada, o senador Mercadante quis prestar um serviço a Dilma Rousseff, virtual candidata de Lula à sua sucessão, respondendo ao fato de que um currículo oficial da ministra indicava falsamente que ela tinha mestrado e doutorado em economia. Para defender Dilma, Mercadante atacou José Serra. Disse que ele não concluiu o curso de engenharia, ao contrário do que foi publicado, vários anos atrás, em anuários do Senado. O senador teve de engolir uma réplica dura. Serra, que conta com dois mestrados e um doutorado em economia, sempre disse em público que nunca completou o curso de engenharia por causa do golpe militar. Reiterou essa informação e ainda contra-atacou, dizendo que era Mercadante quem mentia sobre o próprio currículo. De fato, o senador já chegou a afirmar, até em programa de televisão, que concluiu doutorado na Unicamp – quando na realidade ficou só na graduação. De qualquer forma, é bom saber que os políticos voltaram a valorizar a educação formal. Melhor ainda quando estudaram de verdade.


É MUITO DIFÍCIL DIVIDIR O ELEITORADO DO PT, DIZ LULA SOBRE MARINA SILVA


'Acho que nem eu divido o eleitorado do PT', afirmou o presidente.
Ele disse desejar paz e tranquilidade à senadora que trocou o PT pelo PV.

Do G1, em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na manhã deste sábado (22), ao deixar o Pinheiro Palace Hotel, em Rio Branco, no Acre, que a saída da senadora Marina Silva do PT não deve dividir o eleitorado do partido ou atrapalhar a eventual candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Leia também:

Lula inaugurou obras de um conjunto habitacional na sexta-feira (21), em Rio Branco, onde falou em ampliar o programa 'Minha Casa, Minha Vida'. Neste sábado, ele deixa a capital do Acre em direção à Bolívia, onde se reunirá com o presidente Evo Morales.

Em relação a Marina, que está de mudança para o PV, partido pelo qual deve lançar candidatura à Presidência, ele disse: "A única coisa que eu desejo para a Marina é paz, tranquilidade e que ela acerte na nova da vida dela". Ele afirmou não ter conversado com a senadora depois do anúncio da decisão.

Flamenguista e corintiano

O presidente minimizou a possibilidade de uma eventual divisão do eleitorado do PT nas eleições do ano que vem, o que atrapalharia a candidatura de Dilma. "É muito difícil alguém dividir o eleitorado do PT. Acho que nem eu divido o eleitorado do PT. Petista é quem nem flamenguista, que nem corintiano, não se divide nunca".

Lula se esquivou das perguntas sobre sua influência sobre o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que havia anunciado sua saída em caráter "irrevogável" antes de voltar atrás citando um pedido do presidente da República. "Não vi (o discurso)", limitou-se a dizer.


ESTA FOI A SEMANA DOS ‘DESACONTECIMENTOS’ NO BRASIL


Por Arnaldo Jabor



No Brasil as coisas desacontecem. Esta foi a semana dos desacontecimentos. Nada houve, é tudo impressão nossa ou intriga desta coisa desagradável chamada imprensa.

Vocês vejam: o Senador Mercadante ia sair da liderança do PT, irrevogavelmente. Depois oscilou, o mestre mandou, e ele voltou atrás. A Dilma “não” se encontrou com a Lina Vieira não. Nada houve.

Os VTs do Planalto com sua entrada foram apagados, não existem mais. Os atos secretos que iam ser anulados deixaram de ser secretos e voltaram a valer, para atrás.

As onze denuncias cheias de provas contra os Sarneys foram arquivadas pelo Conselho de Ética, ou seja, não houve nada. O próprio Sarney disse que não se sente culpado de nada. Claro, nada houve.

Gente, é tudo impressão nossa. Tudo some, menos o PMDB. A república está sumindo, sumindo. No Brasil a história anda em marcha a ré.


SIMON: SARNEY PERDE NA JUSTIÇA SE NÃO ACATAR 2º RECURSO


NERI VITOR EICH - Agencia Estado

BRASÍLIA - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou hoje que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), "vai perder novamente na Justiça" se não aceitar um segundo recurso ao plenário que deverá ser apresentado por um grupo de senadores contra o arquivamento de cinco representações que pediam ao Conselho de Ética a investigação de denúncias de envolvimento dele em irregularidades.

A manutenção do arquivamento das representações, determinada pelo presidente do conselho, Paulo Duque (PMDB-RJ), foi aprovada pelo colegiado em votação na quarta-feira. Os 11 senadores recorreram ao plenário contra essa decisão. Esse primeiro recurso foi rejeitado pela Mesa Diretora do Senado ontem, quando era presidida pela segunda vice-presidente, Serys Slhessarenko (PT-MT), que fundamentou sua decisão em um parecer do consultor legislativo Gilberto Guerzoni Filho.

Ao contrário do que sustenta Simon, Guerzoni afirma que não cabe recurso ao plenário contra decisões tomadas pelo Conselho de Ética. A previsão de Simon de que Sarney perderá na Justiça foi feita em pronunciamento da tribuna do plenário, numa referência à decisão tomada em 2004 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) determinando que Sarney, presidente do Senado também naquela época, instalasse a CPI dos Bingos.

"Assim como determinou a criação da CPI dos Bingos para investigar o (então) subchefe da Casa Civil, Valdomiro Diniz, o Supremo poderá obrigar o presidente do Senado a aceitar nosso recurso ao plenário. Está claro no Regimento Interno (do Senado) que cabem recursos ao plenário de decisões de qualquer comissão do Senado, incluindo o Conselho de Ética", afirmou Simon.

O novo recurso ao plenário deve ser apresentado pelos senadores a qualquer momento, informou há pouco a Assessoria de Imprensa de Simon. No caso de rejeição do segundo recurso, os senadores apelarão ao Supremo Tribunal. A decisão de 2004 do Supremo foi tomada em julgamento de mandado de segurança impetrado por Simon e pelo senador Jefferson Peres, que era do PDT do Amazonas, contra Sarney, que se recusava a instalar a CPI dos Bingos.

Além de Simon, assinavam o recurso rejeitado por Serys os senadores José Nery (PSOL-PA), Cristovam Buarque (PDT-DF), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Renato Casagrande (PSB-ES), Jefferson Praia (PDT-AM), Demóstenes Torres (DEM-GO), Marina Silva (sem partido-AC), Flávio Arns (PT-PR), Alvaro Dias (PSDB-PR) e Kátia Abreu (DEM-TO).


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

POR QUE SARNEY E A INTERNET SÃO INCOMPATÍVEIS? POR LUCIANA CAPIBERIBE

ARTIGO

Sarney tem com a internet uma relação diametralmente oposta àquela que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama possui. A eleição de Obama é considerada um fenômeno que ganhou alma a partir da internet, já não se pode dizer o mesmo a respeito da influência da rede mundial de computadores sobre a trajetória do senador José Sarney.

O Senador de diversos mandatos pelo Maranhão e pelo Amapá, cresceu na carreira política durante a ditadura, conquistou nos bastidores do poder benesses incomensuráveis. Sarney é mesmo chegado a uma sombra, não gosta de deixar muito às claras o que faz, os atos secretos são um bem acabado exemplo do tipo de política feito por ele, que se acostumou a jogar com a falta de comunicação entre os rincões brasileiros, responsáveis por lhe dar o poder que ele ostenta, e os grandes centros das decisões políticas e econômicas do país, onde ele costumava até bem pouco tempo, desfilar como arauto da democracia. Enquanto aqui no Amapá e no Maranhão ele jogava pesado, calando inimigos, criando monopólios midiáticos e amealhando o maior número de concessões de rádio e televisão possíveis, para maquiar a falta de realizações de seus mandatos para os estados que o elegiam; no resto do país ele pousava de democrata e cortejava grandes meios de comunicação e seus jornalistas.

O estilo de Sarney é completamente incompatível com a WWW(World Wide Web) conhecida como rede mundial de computadores, a popular internet, porque ela quebra monopólios, sobretudo os ligados ao poder da televisão e dos mídia tradicionais, ao mesmo tempo em que contribui para aproximar as pessoas e diminuir o isolamento das fontes de poder de Sarney dos grandes centros urbanos do país. Com a internet o Maranhão e o Amapá passaram a fazer parte do Brasil. A internet representa um espaço de liberdade, criatividade e democracia, ela tem dificuldade de prosperar onde há ditadura, pois é difícil controlá-la ou limitá-la, só mesmo impedindo o acesso a ela, se pudesse, tenho certeza que Sarney já teria feito isso aqui no Brasil, pois foi através da internet que nasceu e cresceu o movimento de repúdio a ele. Em 2006 aqui no Amapá diversos blogs e sítios foram tirados do ar por ordem da justiça que tentava a todo custo deter os estragos do movimento Xô Sarney, um movimento da sociedade civil, que ganhou o país através da rede mundial de computadores. O símbolo criado pelo chargista Ronaldo Roni foi pintado no muro da casa do fotográfo Mario Filho, uma foto desse símbolo foi parar nos blogs das irmãs Alcinéa e Alcilene Cavalcante e daí ganhou o mundo e atraiu a ira e a censura patrocinada por Sarney que, para variar, usou um advogado pago pelo senado para processar e condenar jornalistas locais. Só que o poder de ‘replicar’, ou seja, reproduzir uma mensagem ou imagem na internet não pode ser detido, assim como não pode ser escondida a repercussão de censurar blogs e sítios de informação, criando um problema terrível para o ex-arauto da democracia, que sofreu os primeiros arranhões em sua biografia.

O resto da história todo mundo já sabe. Sarney resolveu candidatar-se para assumir seu terceiro mandato como Presidente do Senado e pavimentar o retorno da filha ao governo do Maranhão. Em fevereiro deste ano a revista britânica The Economist dizia que a vitória de Sarney para a presidência do Senado era o triunfo do semi-feudalismo. Dessa vez vieram os atos secretos e os arranhões do Xô Sarney transformaram-se em rachaduras na biografia do velho coronel da política brasileira. O movimento Fora Sarney até agora vem crescendo, surfando nas ondas da internet…Microblogs, Twitter, Blogs, são responsáveis por mobilizações que têm atraído jovens de todo o país indignados com os desmandos do velho dinossauro que comanda o Senado.


'NÃO ME SINTO CULPADO DE NADA', DIZ PRESIDENTE DO SENADO


José Sarney (PMDB-AP) deu entrevista exclusiva à Globo News.
Ele reafirmou que não vai deixar o cargo e disse não sentir pressão.

Do G1, com informações da Globo News




O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), reafirmou nesta sexta-feira (21) que não pensa em deixar o cargo e disse que não se sente culpado de nada."Não posso deixar [o cargo] porque não me deram nenhuma saída que não de cumprir o meu dever até o fim", disse em entrevista exclusiva à Globo News.


"No dia em que os colegas, a maioria dos colegas do Senado chegar e me destituirem, muito bem. Eles me elegeram, podem me destituir", completou. Ele negou sentir qualquer tipo de pressão para deixar o cargo. "Não existe pressão porque eu não me sinto culpado de nada. Eu estou procurando servir ao país. Estou procurando ajeitar essa casa. Estou pagando por isso. Eu vou continuar até o fim. Não tenha dúvida", afirmou.

Ao ser perguntado se tinha arrependimento de ter disputado a presidência da Casa, Sarney admitiu pensar muito sobre isso, mas não respondeu a pergunta. "Você fez uma pergunta que realmente eu me indago muitas vezes. Eu tenho realmente a certeza de que relutei muito, eu nunca fui presidente do Senado por minha vontade, sempre por convocação. E dessa vez eu não queria de maneira nehuma, de jeito nenhum", disse.

O plenário do Conselho de Ética arquivou nesta quarta-feira (19) 11 ações contra Sarney. O presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), já havia rejeitado as denúncias, mas houve recurso ao plenário do colegiado.