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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

SARNEY DISCURSA PARA SE DEFENDER DE NOVAS DENÚNCIAS


Agência Senado

BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira em plenário que os apartamentos em São Paulo são de sua família e não de uma empreiteira, como afirmou o jornal "Estado de S. Paulo" em reportagem publicada neste fim de semana. De acordo com Sarney, os imóveis foram declarados ao imposto de renda.

Sarney também criticou o jornal, do qual cobrou provas de que os imóveis seriam de uma empreiteira, e disse estar sendo alvo de uma campanha sistemática por parte do periódico.

- "O Estado de S. Paulo" tornou-se um tablóide londrino, publicando escândalo para vender - afirmou Sarney, comparando as acusações que tem sofrido a um "processo kafkiano".

O senador também lamentou que alguns senadores tenham sido "apressados" ao criticá-lo sem antes ouvi-lo. Ele criticou Sérgio Guerra (PSDB-PE), Demóstenes Torres (DEM-GO) e Valter Pereira (PMDB-MS).

Sarney disse que não deve explicações sobre os apartamentos, pois teria direito à privacidade, e esse assunto não teria relação com o Senado. Segundo ele, um dos apartamentos foi comprado em 1977, e agora seus filhos resolveram adquirir outros dois no mesmo prédio.

Em aparte, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que Sérgio Guerra - que não estava em plenário - não julgou apressadamente, apenas pediu esclarecimentos. Também em aparte, o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) voltou a defender Sarney, criticou a imprensa e disse que grande parte da crise do Senado foi provocada por "discursos irresponsáveis" dos próprios parlamentares.


"MUSEU DA CORRUPÇÃO" FAZ EXPOSIÇÃO DE ESCÂNDALOS E DISTRIBUI PIZZA EM SP


da Folha Online

O "Museu da Corrupção", que reúne na internet diversos escândalos da política brasileira, faz a partir de amanhã uma exposição física na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), no centro da cidade.

A abertura da exposição está marcada para as 11h com distribuição de "pizzas" cujos sabores fazem referências a diversos políticos, como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL).

"O museu será reproduzido exatamente como no site, separado por salas e galerias, e é destaque no Movimento 11 Contra a Memória Curta", disse a presidente do Centro Acadêmico 11 de Agosto, Talita Nascimento.

No "saguão principal" do museu na internet, o internauta poderá acessar o "hall de casos", a "sala dos escândalos", as "operações da Polícia Federal", os "cartões postais da corrupção", a "sala das CPIs" e a "galeria Edmar Cid Ferreira", ex-controlador do Banco Santos que reunia diversas obras de arte em sua residência em São Paulo.

Na abertura da exposição será lido um manifesto contra os atos secretos e a corrupção no Senado. O manifesto já está disponível na internet, onde internautas também poderão assinar. O centro acadêmico espera conseguir 5.000 assinaturas de "internautas descontentes".


LULA DESAFIA LINA VIEIRA A MOSTRAR AGENDA PARA PROVAR ENCONTRO COM DILMA


MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou nesta segunda-feira a ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira a mostrar sua agenda para provar o encontro que supostamente teria tido com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). O presidente afirmou que não é "mexeriqueiro" para confirmar se houve ou não o encontrou e reclamou que o assuntou tomou proporções maiores do que deveria.


"Seria tão mais simples e mais fácil se a secretaria mandasse a agenda que encontrou com a Dilma. Não precisaria gastar dinheiro, pagar passagem ou ir ao Congresso. Era só pegar as duas agendas e ver o que aconteceu. Toda vez nesse país que se começa a fazer Carnaval com as coisas que não dão samba, as coisas vão ficando cada vez mais desacreditadas na opinião pública. Qual a razão que essa secretária tem para dizer que conversou com Dilma e não mostrar a agenda. Se as duas se encontraram é só ver a agenda. A Dilma já disse que não teve agenda com ela. Só tem um jeito de saber, abrir a mala que ela levou a agenda e mostrar para todo mundo", disse Lula.

O presidente se mostrou constrangido com a pergunta dos jornalistas, já que estava acompanhado da ministra no momento, e reforçou indiretamente que a ex-secretária teria mentido sobre a orientação para investigar as empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Dilma acompanhou Lula durante agenda com o presidente do México, Felipe Calderón.

"A Dilma já disse que não tem agenda com ela. Como não sei da vida das duas e não tenho propensão a ser mexeriqueiro como dizem no Nordeste brasileiro. Ou seja, se as duas se encontraram e só ver a agenda e não precisa fazer um cenário de crise entre duas pessoas que conversaram desnecessariamente. Eu sinceramente acho que o país tem coisa mais séria para discutir, tem conversas mais sérias que o Brasil gostaria de saber. O Brasil tem coisas mais sérias que esse assunto. Acho uma pobreza muito grande um assunto como esse estar na pauta da política brasileira", afirmou o presidente.

O presidente reclamou do peso que as declarações da ex-secretária receberam. "Esse processo de manipulação na política brasileira até agora mostrou que quem perde com isso é o Brasil. De qualquer forma vocês amanhã terão oportunidade de ver a agenda, a data e o horário. Se elas se encontraram, ou não, ou poderão ver nada. Eu gostaria que a agente pudesse discutir mais sobre México e Brasil porque interessa mais para o desenvolvimento do nosso país", disse.

Depoimento

Lina Vieira deve prestar depoimento nesta terça-feira à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A oposição aproveitou um cochilo dos governistas e conseguiu aprovar convite para que ela fale à comissão. Lina mostrou disposição em comparecer ao depoimento.

Ela terá de esclarecer o suposto encontro que teve com a ministra, em que a petista teria pedido para acelerar a investigação contra as empresas da família Sarney, e explicar o método tributário adotado pela empresa em 2008, que teria causado prejuízo aos cofres da União.

A oposição ainda cogita pedir uma acareação de Dilma com Lina para que as duas versões sobre a denúncia sejam apresentadas. "O ideal seria acareação das duas. Temos que tentar convocar a Dilma. É evidente que isso se resolveria com uma acareação", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Os oposicionistas reconhecem, porém, que não têm número suficiente de parlamentares para aprovar a acareação. Quanto à convocação da ministra, a estratégia de senadores do DEM e PSDB é tentar aprová-la em uma das comissões permanentes da Casa comandadas pela oposição --uma vez que na CPI da Petrobras os parlamentares não têm maioria.

A estratégia da oposição será esperar o depoimento de Lina à CCJ antes de incluir o pedido de convocação da ministra. Os oposicionistas esperam que Lina confirme sua versão, revelada em entrevista à Folha, de que Dilma pediu para que ela agilizasse as investigações sobre as empresas da família Sarney.

"Tudo vai depender do depoimento da Lina. O debate e a exposição do contraditório nos permite a busca da verdade com maior eficiência", disse Dias.

A oposição também quer ter acesso, no Senado, às imagens captadas pelo circuito interno da Casa Civil no dia em que Lina teria se encontrado com Dilma --uma vez que a reunião foi negada pela ministra.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) pediu para ter acesso às imagens, assim como às planilhas dos automóveis que passaram na Casa Civil entre novembro e dezembro do ano passado, quando teria ocorrido o encontro. O deputado ainda pediu informações sobre uma "agenda paralela" de Dilma, que não incluiria os encontros oficiais.

Denúncia

Segundo reportagem da Folha, a ex-secretária da Receita disse ter sido chamada para um encontro a sós com Dilma em dezembro do ano passado para agilizar as investigações fiscais nas empresas de familiares do presidente do Senado.

No encontro, a ministra teria pedido que a investigação fosse concluída rapidamente.

A ex-secretária diz ter interpretado o pedido como um recado para encerrar a investigação. Na reportagem da Folha, a ministra já havia dito por meio de sua assessoria que "jamais pediu qualquer coisa desse tipo à secretária da Receita Federal".


CONSELHO DE ÉTICA TEM REUNIÃO NESTA QUARTA-FEIRA


Camila Campanerut, repórter em Brasília

BRASÍLIA - Os parlamentares membros do Conselho de Ética do Senado devem se reunir nesta quarta-feira para discutir sobre os recursos que pedem o desarquivamento das ações apresentadas contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).


Entre as ações, estavam cinco representações partidárias (duas do PSol e três do PSDB) e seis denúncias (quatro somente do tucano Arthur Virgílio e duas assinadas em conjunto por Virgílio e o pedetista Cristovam Buarque).

Agência Brasil
O presidente do Senado, José Sarney, durante sessão deliberativa
Todas as açõs tinham sido arquivadas pelo presidente do Conselho, Paulo Duque (PMDB-RJ), que as considerou baseadas apenas em material jornalístico e alegou que havia falta de provas nas acusações.

A oposição conta com cinco integrantes na comissão e necessita do voto do PT para que os processos contra Sarney tenham continuidade.

Leia mais sobre crise no Senado



CENSURA SARNEYSISTA À IMPRENSA ATINGE O JP


DECISÃO INCOMPATÍVEL COM O REGIME DEMOCRÁTICO

Juiz manda retirar do site do jornal reportagem que revelou investigação da Polícia Federal sobre o pagamento de mesadas das filhas de Fernando Sarney por meio do ‘caixa 2’ da Mirante

POR OSWALDO VIVIANI

Da mesma forma que o tradicional jornal O Estado de S. Paulo e seu site, que foram proibidos pelo juiz Dácio Vieira (TJ-DF) de veicular reportagens e gravações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal – que investiga o superintendente do Sistema Mirante, Fernando Sarney –, o Jornal Pequeno também foi atingido por censura judicial imposta pelo clã Sarney. No dia 1º deste mês, o portal do JP foi obrigado a retirar do ar uma matéria publicada no dia 8 de março passado que revelou uma investigação da Polícia Federal sobre o pagamento de mesadas das filhas de Fernando Sarney por meio do “caixa 2” da Mirante.

A decisão de censurar a página eletrônica do JP foi do juiz Nemias Nunes Carvalho, da 2ª Vara Cível de São Luís, acatando ação interposta por Fernando Sarney. O juiz estabeleceu multa diária de R$ 3 mil caso a ordem não fosse cumprida. O JP já recorreu da medida – que, assim como no caso do “Estadão”, considera uma restrição à liberdade de imprensa, incompatível com o regime democrático vigente no Brasil.

Nemias Carvalho é um dos 10 juízes contra os quais a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Maranhão instaurou inquéritos administrativos para apurar irregularidades, depois de correição realizada em sete varas de São Luís, em janeiro e fevereiro deste ano.

Boi Barrica – A reportagem que motivou a censura judicial ao JP foi baseada estritamente no que apontou a Polícia Federal no inquérito (Operação Boi Barrica) que apurou o “esquema criminoso”, segundo termos da própria PF, que tem o empresário Fernando Sarney como chefe.

Fernando Sarney tenta calar a imprensa com medidas judiciais

A menção às “mesadas” e outros pagamentos feitos pela São Luís Factoring (empresa do grupo Mirante investigada por lavagem de dinheiro) às filhas de Fernando estão nas páginas 33, 34, 35, 36 e 37 do relatório final da PF, assinado pelos delegados Márcio Adriano Anselmo e Thiago Monjardim Santos, da Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Divisão de Repressão a Crimes Financeiros).

Vários “grampos”, realizados com autorização judicial, revelaram, de acordo com a PF, que a São Luís Factoring “serve como um grande caixa para as movimentações pessoais de membros da família” (página 36), e que Luzia de Jesus Campos de Sousa, funcionária de confiança de Fernando Sarney, era quem fazia os pagamentos, “quase sempre em espécie, seguindo determinações de seu patrão [Fernando]”.

Nos diálogos interceptados, ficaram comprovados pagamentos por meio da factoring a pelo menos quatro filhas de Fernando – Maria Beatriz (notabilizada por pedir ao avô, José Sarney, um cargo no Senado para o namorado, Henrique), Paula Renata, Ana Theresa e Maria Adriana. “Paula Renata, em que pese tenha apresentado Declaração Anual de Isento, movimentou no ano de 2006 quase R$ 150 mil, chegando a movimentar em conta corrente, só num mês, mais de R$ 24 mil”, relata a PF.

João Fernando Michels Gonçalves Sarney, filho de Fernando Sarney descoberto entre os nomeados por ato secreto no Senado, também aparece no relatório da PF (página 36) como beneficiário de pagamentos por meio da factoring da Mirante.

Outra filha de Fernando Sarney, Ana Clara (sócia da São Luís Factoring, juntamente com sua mãe, Teresa Murad Sarney), igualmente é citada no relatório da Polícia Federal. Ela chegou a ter sua prisão temporária pedida pela PF. O juiz Neian Milhomem Cruz negou o pedido.

Conforme a PF, Ana Clara é suspeita de ter recebido dinheiro ilegal de Paulo Guimarães, o “PG”, dono do grupo de comunicação Meio Norte, do Piauí, e conhecido no fim dos anos 90 por ser dono do bingo virtual Poupa Ganha e por envolvimento em lavagem de dinheiro. A PF grampeou diálogos e troca de mensagens entre Paulo, Fernando e Ana Clara no começo de 2008.

As conversas se dão de forma cifrada, denotando, segundo a PF, “pela situação em si, que não se trata de algo lícito, até pela maneira como buscaram se evadir”.

No dia 4 de março de 2008, a Polícia Federal grampeou a seguinte troca de mensagens entre “PG” e Ana Clara:

Paulo Guimarães - Você quer receber aí no Rural [suposta referência ao Banco Rural] na próxima semana ou junto aqui e até a próxima semana pega aqui tudo de uma vez, você que escolhe.

Ana Clara - Como seria essa entrega aqui? Quem pegaria? Como seria feito?

Paulo Guimarães - Duas carradas de leite Ninho e duas de Perlagon preços da Nestlé com nota fiscal do distribuidor do Piauí, você arranja quem pega aí.

Ana Clara - Me lig de um bom n. [A transcrição em poder da PF é feita dessa forma, mas depreende-se que o sentido da frase é “me liga de um bom número].

Sarney repete estratégia de tentar calar o JP pela via judicial

A ordem para a retirada de uma reportagem do portal do Jornal Pequeno não é a primeira ação do clã Sarney, por via judicial, para tentar calar o “órgão das multidões”.

Já no início de sua carreira política, em 1968, quando era governador do Maranhão, José Sarney processou o jornalista José Ribamar Bogéa, o popular Zé Pequeno, fundador do JP. O motivo: três artigos do então deputado federal Domingos Freitas Diniz (atualmente com 75 anos), com críticas contundentes a Sarney, publicados no jornal.

Num primeiro julgamento no Tribunal de Justiça do Maranhão, no qual atuaram vários desembargadores que haviam sido nomeados pelo próprio José Sarney, o jornalista foi condenado a mais de um ano de prisão sem direito a “sursis” (suspensão da pena).

No entanto, o processo foi levado ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, onde, depois de obter um habeas corpus em 6 de outubro de 1970, Bogéa obteve sua vitória definitiva no processo em 16 de dezembro de 1970. Todos os sete juízes do Supremo votaram contra Sarney.

Em abril de 2008, pouco antes de virem à tona os escândalos em série do Senado, protagonizados por José Sarney, o senador entrou na Justiça com uma ação de reparação por danos morais contra o JP e uma representação criminal contra seu diretor geral, Lourival Bogéa.

Sarney se sentiu atingido pela reprodução pelo JP, de várias matérias da imprensa nacional, além de artigos assinados e até a carta de um leitor que apontava erros de português cometidos pelo senador.

Em dezembro de 2008, o juiz Aiston Henrique de Sousa, da 6ª Vara Cível de Brasília, determinou, em primeira instância, que o jornal pagasse R$ 50 mil a Sarney, em vez dos R$ 220 mil pedidos pelo senador. A representação criminal contra Bogéa ainda tramita na Justiça.


FILHO DE SARNEY FOI AVISADO DE QUE SERIA ALVO DE AÇÃO, DIZ PF


da Folha Online

Um telefonema do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para o empresário Fernando Sarney, seu filho, é o primeiro de dez diálogos gravados pela Polícia Federal que, segundo o órgão, deixam "claro" que Fernando foi avisado que seria alvo de ação da PF, informa reportagem de João Carlos Magalhães e Hudson Corrêa, publicada neste segunda-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Segundo a reportagem, a conclusão é do relatório da polícia, no qual há transcrições dessas conversas. De acordo com a PF, a sequência de conversas revela "fatos graves", que comprovam "vazamento".


A Folha informa que o telefonema de Sarney para o filho ocorre em 28 de agosto de 2008. Um dia antes, o Ministério Público Federal no Maranhão havia dado parecer favorável à prisão de Fernando e a buscas e apreensões em diversos endereços, incluindo alguns do próprio empresário.

Até agora, os grampos já revelados na imprensa indicavam que Fernando sabia apenas que era investigado, mas não que ele tinha informações sobre a iminência de sua prisão e de ações da PF em suas casas e empresas nem que seu sigilo telefônico havia sido quebrado.

Outro lado

José Sarney disse, via assessoria, que "não reconhece a credibilidade no dito relatório da Polícia Federal", o qual diz que seu filho foi avisado de ação contra ele na Operação Boi Barrica.

Procurado, Fernando afirmou que não poderia falar sobre o caso, pois o inquérito está em segredo de Justiça.

Segundo a assessoria de Sarney, falta credibilidade ao relatório porque um "grampo [feito pela Polícia Federal] foi adulterado por montagem, de acordo com laudo pericial, assinado pelo [perito] Ricardo Molina".

Leia a reportagem completa na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.


POLÍTICOS E INTELECTUAIS APÓIAM À PRÉ-CANDIDATURA DE FLÁVIO DINO

16 de agosto de 2009 às 09:37

Uma jantar para discutir a pré-candidatura do deputado federal Flávio Dino ao governo do Maranhão nas eleições do próximo ano reuniu anteontem lideranças partidárias, prefeitos, ex-prefeitos e deputados federais e estaduais. Organizado pelo prefeito de Caxias, Humberto Coutinho, e pela deputada estadual Cleide Coutinho, o jantar reforçou a pré-candidatura em setores importantes da classe política maranhense.

Humberto Coutinho manifestou entusiasmo com a possibilidade da candidatura de Flávio Dino ao Governo do Maranhão e conclamou seus convidados a uma aliança em torno do deputado. O ex-governador Zé Reinaldo Tavares analisou a situação política do estado, criticando duramente a família Sarney e defendendo uma profunda renovação política e administrativa no Maranhão. "O deputado Flávio Dino é um nome que pode liderar esse processo", atestou Zé Reinaldo, fazendo, contudo a ressalva de que são necessárias outras candidaturas do campo oposicionista para enfrentar o grupo Sarney.

O deputado federal Ribamar Alves também defendeu o nome de Flávio Dino como opção para a sucessão estadual. O parlamentar socialista elogiou outros nomes que podem entrar na disputa, como o deputado Roberto Rocha e o ex-governador Jackson Lago, mas declarou apoio à Flávio Dino como nome capaz de unir em uma aliança o PSB, PT e PCdoB e assegurar um palanque de esquerda para a candidatura presidencial da ministra Dilma Roussef.

Flávio Dino agradeceu o apoio à sua pré-candidatura, lembrou que não se tratava de uma pretensão pessoal, já que preferia renovar o mandato de federal, e anunciou que aceitava o desafio. "Aceito a missão, desde que isso (a candidatura) seja entendido como uma tarefa política a ser construída de mãos dadas por todos nós que estamos aqui neste momento e por todos os homens e mulheres de nosso estado que não perderam a esperança e querem um Maranhão desenvolvido e com justiça social", discursou para uma platéia em que estavam também o presidente da Assembléia, Marcelo Tavares; o ex-presidente da Assembléia, João Evangelista; o ex-presidente do STJ, Edson Vidigal; e o presidente do PSB, José Antonio Almeida.

Intelectuais - Antes, à tarde, um grupo de intelectuais e militantes de partidos e organizações de esquerda também se reuniu anteontem com o deputado Flávio Dino para discutir a sucessão estadual. Pesquisadores como o professor Wagner Cabral (História), Marcelo Carneiro (Ciências Sociais), Anselmo Raposo (Administração) Francisco Gonçalves (Comunicação); e o ex-secretário de Cultura Joãozinho Ribeiro, manifestaram apoio à proposta de uma candidatura que expresse um programa de mudanças concretas para o Maranhão. Cerca de 30 pessoas participaram da reunião que foi convocada pelo vereador Geraldo Castro (PCdoB).

Os participantes da reunião concordaram com a necessidade de uma composição político-eleitoral mais ampla que o campo democrático e popular, como o que disputou as eleições de São Luís em 2008 com a aliança PCdoB/PT. Para eles, é necessária uma composição dos setores de esquerda com os grupos dissidentes do poder oligárquico no Maranhão, o que torna, avaliam, o projeto de candidatura eleitoralmente viável. E mais que a candidatura, enfatizam, é preciso se ter uma formulação de programa com metas de médio e longo prazo como condição de tirar o Maranhão da pobreza e superar o fisiologismo e o patrimonialismo como práticas administrativas que atrasam o estado.

Um a nova rodada de discussões envolvendo um número maior de participantes será realizada ainda em agosto, conforme encaminhamento aprovado na reunião.


PESQUISA AUMENTA PRESSÃO PELA SAÍDA DE SARNEY, DIZ OPOSIÇÃO


da Folha de S.Paulo, em Brasília

A oposição no Senado usará os resultados de pesquisa Datafolha divulgados ontem como mais um argumento de pressão sobre os senadores do Conselho de Ética. O colegiado deve definir nesta semana se abre ou não processo contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), acusado de quebra de decoro.

O levantamento mostra que 74% dos brasileiros defendem a saída de Sarney da Presidência do Senado. Para 66%, ele está envolvido nas irregularidades que cercam o seu nome. Sarney é acusado de se beneficiar de atos secretos --parentes dele foram contratados e exonerados por esse mecanismo--, e de receber ilegalmente auxílio-moradia. Também há denúncias de desvio de dinheiro na fundação que leva seu nome.


O Datafolha mostrou ainda uma piora na avaliação do Congresso, visto por 44% da população como "ruim ou péssimo". Índice maior foi registrado na época do escândalo do mensalão, em 2005, com 48% de ruim ou péssimo, e em novembro de 2007 (45%), quando o Senado vivia outra crise.

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que o "resultado da pesquisa deve-se ao Sarney e ao grupo que ele representa". "O PT tem duas alternativas: apoiar o Sarney e se dar mal com o povo ou não apoiar o Sarney e se dar mal com o PMDB", disse Guerra.

São os três senadores do PT no Conselho de Ética que podem definir o futuro de Sarney uma vez que o PMDB, partido do presidente da Casa, só tem três votos e precisa do apoio dos petistas para derrubar os recursos da oposição que pedem a reabertura dos processos contra Sarney. São 11 os pedidos de investigação que foram arquivados pelo presidente do colegiado, Paulo Duque (PMDB-RJ).

"Os resultados deveriam ter peso na decisão dos senadores, afinal a pesquisa mostra que de cada quatro brasileiros, três pensam que Sarney deveria sair da presidência. É uma coisa fortíssima. Este índice permite que a gente conclua que não há uma única classe da sociedade na qual Sarney não seja reprovado", afirmou o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP).

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) foi na mesma linha: "Espero que qualquer coisa possa influenciar. A pesquisa está mostrando a solução. O problema de hoje é a Presidência do Senado".

Reservadamente, aliados de Sarney reconhecem que os resultados da pesquisa farão ainda mais barulho nas discussões do Conselho. Mas eles rejeitam a possibilidade de uma reviravolta contra o peemedebista. "Seria um absurdo se tivesse influência. O voto é pessoal, não tem nada a ver com o que pensa a opinião pública. Quando o povo elege seu representante transfere para ele a decisão", disse o senador Almeida Lima (PMDB-SE).

"Não terá impacto. Os senadores vão agir de acordo com a consciência", afirmou o líder do PT, Cândido Vacarezza (SP).

A assessoria de Sarney informou que ele não se pronunciaria sobre os resultados da pesquisa. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), não retornou aos telefonemas da Folha. Deputados procuraram restringir a má avaliação do Congresso à crise no Senado.


JORNAL LIGADO A SARNEY ACUSA DEPUTADA DE ARMAR MANIFESTAÇÃO DE ESTUDANTES


No Amapá é assim...

Publicado ou Escrito por Chico Bruno

O jornal A Gazeta, do Amapá, ligado ao grupo político de Sarney, acusa em sua edição deste domingo (16) a deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP), de ter armado a manifestação "Fora Sarney", que acabou com a prisão de 9 estudantes presos pela Polícia Legislativa do Senado.

Segundo a notícia publicada pelo jornal, "o ato no Senado Federal pode ter sido armado por Janete Capiberibe". Diz ainda que a Polícia do Senado estaria investigando a participação da deputada Janete Capiberibe na organização do ato, além de acusar a deputada de ter pago R$ 40,00 a cada estudante para que participasse da manifestação, de onde eles saíram detidos para a delegacia do Senado e só foram libertados com a intervenção dos senadores Cristovam Buarque (PDT/DF), Eduardo Suplicy (PT/SP), José Nery (PSOL/PA), Valter Pereira (PMDB/MS) e a deputada Janete Capiberibe (PSB/AP).

- Não preciso me esconder atrás de ninguém para dizer os malefícios que o senador Sarney faz ao Brasil e ao Amapá. Sou oposição a ele e todo mundo sabe disso. É direito legítimo da sociedade brasileira organizar-se em manifestações políticas, sem cabresto ou manipulação, como fizeram espontaneamente aqueles estudantes, agredidos na sua liberdade de manifestação por ordem do presidente do Senado. Se esta investigação realmente existir, e a notícia não passar de uma calúnia do jornal, estará caracterizado mais um ato de perseguição política do senador Sarney contra seus opositores. Tenho a tribuna da Câmara para fazer oposição ao senador Sarney e quero que cada cidadão brasileiro possa fazê-lo dentro das regras democráticas, arremata a deputada, negando que tenha organizado o ato.


domingo, 16 de agosto de 2009

PROTESTOS PELO PAÍS PEDEM SAÍDA DE JOSÉ SARNEY DA PRESIDÊNCIA DO SENADO


Foram realizados atos 'Fora Sarney' em diversas capitais.
Senador do PMDB de Amapá enfrenta diversas denúncias.

Do G1, em São Paulo



Protestos pela saída de José Sarney (PMDB-AP) da Presidência do Senado foram realizadas em diversas capitais do país neste sábado (15).

As ações foram combinadas pela internet, pelo site 'Fora Sarney', e pelo Twitter. Protestos foram convocados em pelo menos 13 capitais: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Goiânia (GO), Belém (PA), Vitória (ES), Salvador (BA), Recife (PE) e Porto Alegre (RS).

O senador enfrenta diversas denúncias há cerca de dois meses, no entanto, todas as 11 representações que chegaram ao Conselho de Ética do Senado foram arquivadas - saiba mais.

Protesto realizado na praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, contra o presidente do Senado (Foto: Marcos de Paula / Agência Estado)

Ato realizado na avenida Paulista, em São Paulo (Foto: Nelson Antoine / Foto Arena / Agência Estado)

Protesto realizado pelas ruas da capital pernambucana, Recife, neste sábado (Foto: W. Correia Neto / Agência Estado)

Jovens durante ato contrsa Sarney realizado na Praça 7 de Belo Horizonte, capital mineira (Foto: Bruno Figueiredo / O Tempo / Agência Estado )

Cachorro durante prostesto no Centro Cívico de Curitiba, capital paranaense, neste sábado (Foto: Rodolfo Buhrer / Agência Estado)